Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Desistiu

 

 Foto: tirada na net

 

Desistiu.

Cruzou os braços e disse... Chega!

Soergueu-se... mas viu, sentiu e observou.

Cruzou os braços e disse... Chega!

Tentou... mas em vão, mudar, alterar, agradar, unir.

Cruzou os braços e disse... Chega!

Fez... apenas como o sabia fazer... mas esse saber foi muito pouco.

Imaginou... ter pelo menos uma vez... aquilo que tinha pedido à vida.

Caminhou e procurou muito... para tentar encontrar... aquilo pelo que sempre lutou.

Desistiu... por aceitar que aquilo tão desejado... não estava para si reservado.

Deixou cair duas lágrimas... e guardou todas as outras.

Cruzou os braços e disse... Chega!

E... desta vez... pelo cansaço... apenas...

Desistiu.

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Sempre seriamente na boa às 18:26
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Sábado, 4 de Outubro de 2008

As duas caras.

Eram um casal normal, como aqueles que, ainda hoje, passam por nós na rua, mas que de certa forma nem prestamos atenção. Ela de braço dado com ele, porque assim era convencional naquela época, normal, como por exemplo hoje em dia é dar-se as mãos.

Ele engenheiro, sem lembrar que área, ela com um cargo de chefia nos telefones. Também era convencional naquela época, divulgar os cargos que se tinha, muito conveniente. Algo que o ser humano muito convenientemente, mas infelizmente ainda hoje usa. Usos e costumes de todas as épocas, enfim. Mas também se deveria saber as origens de cada um, mas nem sempre era conveniente.
Ele descendia de uma boa família, mas simplesmente pobre,  ela não conhecia quase ninguém do lado dele, apenas os familiares mais directos. Não porque fosse da sua vontade, mas era da vontade dele. A família menos directa era mais pobre ainda e isso envergonhava-o. Em contrapartida ela que descendia de famílias abastadas, onde ele conhecia toda a gente, com mais e muito menos posses que eles. Mas ela não se envergonhava da sua família.
Ele, uma figura fisicamente interessante,  sem sorriso na cara, de muito poucas palavras. Talvez pela profissão que tinha, passava alguns dias fora de casa, ou simplesmente chegava muito depois dela. Larga maioria das vezes, com a mesa já preparada, deliciosamente requintada e  o jantar pronto a ser servido nas respectivas travessas.
Quando ele chegava, ela e a mãe dela, sentavam-se à mesa, jantavam quase calados, e se por leve acaso, uma questão se levanta-se, algo de certa relevância, acabava em discussão entre genro e sogra, nada agradável de se presenciar. Aqueles dois adoravam-se mutuamente.
A sogra, uma senhora esbeltamente esguia, sempre bem penteada e maquilhada e sempre  comodamente vestida,  para sair de casa a qualquer momento e que quando saía, tinha aquele sorriso esbelto como ela o era, onde na rua o oferecia a toda a gente e largamente lhe era retribuído.
Ela, mulher bonita, nada exuberante, mas jamais passava despercebida no meio da multidão. Dos seus olhos saía o belo sorriso dos seus lábios. Sorria, ria, brincava, mas sempre quando ele não estava presente.
Quando o jantar terminava, ele recolhia à sua biblioteca e lia o seu livro, bebia o seu brandy, ouvia a sua música e mantinha-se calado. Ela e a mãe, arrumavam a sala, a cozinha e sentavam-se ambas no quartinho dos seus lavores e conversavam imenso as duas.
Tinham tido um filho, há alguns anos atrás, mas a criança só sobreviveu muitos poucos meses e ela jamais poderia engravidar novamente. Esse triste acontecimento entristeceu o coração de ambos e de todos, mas gerou pensamentos e emoções diferentes. Ele resignou-se, ela não. Ela quis adoptar uma criança, mas uma criança muito carenciada,  ele não queria "nada" em casa que não fosse dele. Repartir algo com alguém que não lhe pertence-se directamente, era perfeitamente inconcebível. Mas a força dela foi maior e ele novamente se resignou. E adoptaram uma menina.
Foi exactamente aí que se viu a doçura dos seus olhos a reflectir o belo sorriso dos seus lábios na maior da simplicidade.
 
publicado por Sempre seriamente na boa às 23:53
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